30 de nov. de 2014

Perfeição de vida

 Tudo era nada pra ele. Frequentou a melhor escola da região, e por isso era tão inteligente quanto um campeão mundial de xadrez. Tudo era nada pra ele. No esporte era medalha de ouro. Tudo era nada pra ele. 
 Nasceu em berço esplêndido, portanto dinheiro não era um problema. Tudo era nada pra ele. Mimado desde o parto, sempre teve o que quis. Tudo era nada pra ele. Na música era um Mozart, ficava horas em seu violino ou teclado. Tudo era nada pra ele. 
 Desenhava como Da Vinci e pintava como Monet, espetacular! Tudo era nada pra ele. Poderia trabalhar onde quisesse e se por escolha própria decidisse não trabalhar, seria sustentado pelo pai. Tudo era nada pra ele. Era um verdadeiro George Clooney com as mulheres. Tudo era nada pra ele. Sua vida estava bem encaminhada do nascimento até a sepultura. Tudo era nada pra ele. Tudo era nada pra ele. Tudo era nada pra ele. 
 Até que ele percebeu que a vida era fácil demais. Pegou um livro de Thoreau e saiu pelo mundo em busca do Nada. O Nada no qual o tirasse de dentro da Caverna. O mundo no qual as águas são realmente azuis e as rosas coloridas, mas que ao mesmo tempo o Sol queima e o Gelo arde. 
 A partir daí sua vida passou a ter mais sentido. Ele não precisava de mais nada, apenas olhar as montanhas ao longe cobertas de gramíneas e cortar troncos de carvalho para acender não só sua esperança de vida, mas também uma fogueira. Isso virou seu verdadeiro mundo, seu Tudo, sua perfeição de vida. A partir desse momento, nesse exato momento, a vida ficou mais complexa e real. Agora, o Nada era tudo pra ele.

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