Entrou na
sala e se apresentou. Um período de silêncio por parte da turma que já
entrosada questionava a origem daqueles olhos puxados. Chinês? Japonês?
Coreano? Sinto que até hoje, muitos ainda se perguntam, mas sem êxito da
resposta.
Falam que ser professor, nos dias de hoje, não
vale a pena. Discordo! Se for pra ser a metade da centésima parte de um por
cento que essa simplória pessoa é, já vale uma vida. Mais do que um ser
exaltado de conhecimento, sua habilidade de propagar tal virtude é fenomenal.
Não precisei de muito tempo para gostar de
Literatura, bastou ouvir a singela voz dele acompanhando os slides do
barquinho. Aliás, aquele barquinho me proporcionou diversos momentos de
reflexão. Pude me afogar diversas vezes nas águas da imaginação e do
conhecimento.
Numa conversa com ele, ouvi que um de seus
sonhos era mudar a vida de no mínimo três pessoas na escola (Pois é, até anjos
sonham!). Posso lhe dizer que só faltam dois. A sua importância na minha vida
foi de tamanha grandeza que mudou não só o meu jeito de pensar, mas também de
agir. Se hoje escrevo um blog é por sua culpa (E do Gregório, é claro). Se
recebo elogios é por sua culpa. Se manifesto uma opinião é bem provável que
seja culpa sua. Enfim, a sua educação foi transmitida em todos os sentidos. Ele
não fez somente vestibulandos. Fez pessoas de caráter.
Definir-lhe é uma tarefa tão árdua, que se por
ventura me faltar vocabulário, basta voltar a ouvir sua singela voz. Hoje eu
sei a resposta da origem de seus olhos. O deslumbrante ser provido de
conhecimento veio da Pasárgada. (Não existiria um lugar tão perfeito quanto
esse, pelo menos na visão de um literário, que o velhinho poderia ter vindo). E
se me dissessem que estou enganado, que na verdade veio dos céus, faria todo sentido
para mim.
Professor Vitor Dias, se for preciso gritar
(MIL, MIL, MIL) vezes o quanto você mudou minha vida, gritarei! Se for preciso
escrever, escreverei! Se for preciso cantar o rap do Soneto, cantarei! Só te
peço uma coisa em troca. Um "Aquele Abraço!".