9 de dez. de 2014

Época previsível

Época de Natal é um dos momentos do ano mais clichê que existe. Sempre tem a boa e velha rabanada. Tem também o bolinho de bacalhau feito pela avó e o peru preparado pela mãe. Fora falar da repleta ceia recheada de nozes, passas, arroz com passas, frango com passas, bolo com passas e até passas com passas. Ainda tem aqueles "pisca-piscas" enrolados pela casa inteira e uma árvore rodeada de enfeites. Existe algo mais clichê no Natal do que os tios? Tem um que gruda nos pastéis como aperitivo pra cerveja, tem outro que torce pra ter pavê e assim fazer a famosa piada do "pavê ou pra comê?" (Aliás, minha mãe cortou o pavê por causa disso). Ah, e como não lembrar da tia solteira que sempre é uma das primeiras a ir embora? Não posso esquecer do cara chato que come panetone de frutas cristalizadas. Muito menos do primo comilão que acaba com o pudim. E, claro, devo ressaltar as histórias de avô sobre o passado. Isso tudo é Natal! Por mais brando e previsível que seja, é Natal! Por mais simples e momentâneo que seja, é Natal! E que, em cada rabanada, cada panetone, cada passas, existirá a sensação de novidade naquele espetáculo. E, em meios de cartas pra Papai Noel e festas em família, a representação do Natal continua sobre os sonhos mais fantasiados de uma pessoa. Desejo que nesse ano, o Natal clichê aconteça novamente, se depender de mim, estarei lá comendo um delicioso panetone de frutas cristalizadas.

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