Época de
Natal é um dos momentos do ano mais clichê que existe. Sempre tem a boa e velha
rabanada. Tem também o bolinho de bacalhau feito pela avó e o peru preparado
pela mãe. Fora falar da repleta ceia recheada de nozes, passas, arroz com
passas, frango com passas, bolo com passas e até passas com passas. Ainda tem
aqueles "pisca-piscas" enrolados pela casa inteira e uma árvore
rodeada de enfeites. Existe algo mais clichê no Natal do que os tios? Tem um
que gruda nos pastéis como aperitivo pra cerveja, tem outro que torce pra ter
pavê e assim fazer a famosa piada do "pavê ou pra comê?" (Aliás,
minha mãe cortou o pavê por causa disso). Ah, e como não lembrar da tia
solteira que sempre é uma das primeiras a ir embora? Não posso esquecer do cara
chato que come panetone de frutas cristalizadas. Muito menos do primo comilão
que acaba com o pudim. E, claro, devo ressaltar as histórias de avô sobre o
passado. Isso tudo é Natal! Por mais brando e previsível que seja, é Natal! Por
mais simples e momentâneo que seja, é Natal! E que, em cada rabanada, cada
panetone, cada passas, existirá a sensação de novidade naquele espetáculo. E,
em meios de cartas pra Papai Noel e festas em família, a representação do Natal
continua sobre os sonhos mais fantasiados de uma pessoa. Desejo que nesse ano,
o Natal clichê aconteça novamente, se depender de mim, estarei lá comendo um
delicioso panetone de frutas cristalizadas.
Cara! Tu escreve muito bem. Tem visão bem atenta sobre as coisas do cotidiano.
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